Tecnologias e práticas aplicadas ao cultivo consorciado de banana e açaí prometem aumentar a produção e produtividade das culturas, sem aumento na área de plantio. Para analisar o experimento, uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) foi implantada em uma propriedade rural no município de Caapiranga (a 134 quilômetros da capital amazonense).  Os estudos estão sendo executados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e prefeitura do município.

A URT foi implantada na propriedade do agricultor familiar Claudionor Macena, localizada na estrada Ary Antunes, Km 25. De acordo com o gerente do Idam em Caapiranga, o técnico em agropecuária Herley César Dilahar, a estimava é que uma produção de 10 toneladas por hectare, no modo convencional, chegue a 20 toneladas por hectare na Unidade. Essa produção é esperada ainda no primeiro ciclo, aumentando nos próximos ciclos, seguindo as adubações e recomendações corretas.

“Com espaçamento tradicional de 3×3 metros, a produção de banana pacovan chega de 8 a 10 toneladas por hectare. Já com a tecnologia da mecanização agrícola, espaçamento 5×5 m, controle de fungicidas (Sigatoka negra), quatro adubações no primeiro ciclo, é possível dobrar essa produção, que pode chegar a 18 ou 20 toneladas por hectare, e assim por diante”, detalhou o técnico.

Segundo o técnico em agropecuária, a estimava é que uma produção de 10 toneladas por hectare, no modo convencional, chegue a 20 toneladas por hectare na Unidade

A parceria entre a Embrapa e o Idam, segundo Dilahar, tem sido fundamental para o desenvolvimento da agricultura familiar, visto que tecnologias desenvolvidas nos laboratórios são levadas ao campo por meio dos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), beneficiando assim o agricultor familiar com conhecimentos que geram melhores resultados de produção e renda.

De acordo com o gerente, a finalidade da implantação da URT é mostrar para o agricultor que, com o acompanhamento técnico e a aplicação de tecnologias adequadas, é possível desenvolver maior quantidade e qualidade dos frutos sem a utilização de novas áreas para o plantio.

Técnicas aplicadas – Para a implantação do experimento, o primeiro passo foi a escolha da área. Em seguida foi realizada limpeza, abertura de covas, incorporação de calcário nas covas, adubação e, após 15 dias, foi realizado o plantio.

“O Idam continua realizando o acompanhamento na propriedade até a colheita. A cada dois meses após o plantio é feita a adubação complementar, e damos o auxílio necessário”, afirmou o gerente.

Na Unidade foram plantadas 200 mudas de banana pacovan e 200 mudas de açaí BRS Pará. A expectativa é que ainda em novembro aconteça a primeira colheita de bananas. Entre as vantagens do sistema consorciado está a rotatividade na colheita, ou seja, quando acaba a colheita de um fruto, inicia a colheita de outro, trazendo assim uma perspectiva de renda maior para o agricultor familiar.

Comercialização – Com a melhoria na qualidade dos frutos, o produto ganha valorização no mercado. Os frutos apresentam melhor aparência e tamanho maior, as perdas agrícolas são minimizadas, fazendo com que o rendimento da produção aumente. “A banana pacovan, por exemplo, pode ser vendida a R$ 40,00 o cacho, o que antes só se conseguia vender a R$ 25,00”, disse o técnico.

Fonte: IDAM