Capítulo – 1 – Economia, percepção e escolhas

Discorrer sobre visões alternativas em relação à valoração econômica da Amazônia é uma tarefa desafiadora. Esse é um tema bastante complexo por envolver percepções muito distintas. Entre essas percepções estão questões relativas à economia e desenvolvimento regional, meio ambiente, soberania entre outros assuntos diversos pertinentes à Região e com relevância nacional e internacional. Todos esses elementos têm efeito nas percepções e, por consequência, na concepção e no desenho de políticas, ações e seus respectivos financiamentos.

Neste ensaio, o esforço será desenvolvido no sentido de ampliar o entendimento sobre a valoração da Amazônia a partir da perspectiva da Economia, de modo geral, e Ambiental, de maneira específica. Essa forma de abordagem será perseguida porque é muito comum existirem muitas percepções e opiniões a respeito dessa parte do Brasil. Obviamente, essas são construídas a partir da visão de mundo, nível de conhecimento e informações que chegam aos indivíduos por meio dos diversos meios, o que acaba por produzir representações mentais daquilo que eles acham que é a Amazônia. É nesse sentido que maior entendimento dos aspectos econômicos se faz necessário.

Não é incomum ouvir de especialistas de diversas áreas, políticos e mídia em geral que a Amazônia está sob ameaça e que porção substancial dessa ameaça é consequência das pressões de mercados tais como o da soja, carne, madeira etc. Não obstante, as possíveis soluções apontadas por esses atores para administrar o problema são tipicamente políticas

do tipo comando e controle ou do desenvolvimento de atividades com forte viés preservacionista, deixando de levar em conta os aspectos econômicos mais substanciais, os quais, na verdade, estão por trás de toda essa dinâmica, ou seja, aqueles que incentivam seus cuidadores, usuários diretos da Amazônia, a fazerem escolhas e tomarem decisões.

O olhar econômico em relação ao tema aqui desenvolvido leva em conta o comportamento dos indivíduos e firmas assim como consequências de suas decisões. Estas decisões são materializadas em mercados. Quando esses falham e geram discrepâncias entre interesses sociais e privados, diz-se existir uma divergência cuja uma das causas são as externalidades. É muito importante salientar que esses mercados são formados a partir das interações entre consumidores e firmas que, em última análise, são indivíduos comuns exercendo um, outro ou ambos os papéis nessas interações. Assim, o mercado não é uma entidade ou instituição que pode ser controlada por meio de algum mecanismo de fácil implementação, mas sim por meio de forças geradas a partir dos gostos, preferências e estímulos de todos os indivíduos que dele participam por meio da produção e consumo de bens e serviços, respondendo a incentivos.

Diante dessas considerações, o objetivo deste trabalho é o de apresentar a tese de que para proteger a Amazônia será necessário considerá-la como um recurso cada vez mais percebido como escasso e cuja parte substancial do seu valor econômico total advém como o resultado de diferentes percepções, gostos, preferências e interesses, sejam esses nacionais ou internacionais, mas que determinam de alguma forma o como, quanto, quando e por quem seus benefícios e custos serão apropriados. 

O ensaio está organizado da seguinte maneira. A seção 1 trás uma breve introdução, a seção 2 apresenta alguns aspectos que projetam nacional e internacionalmente a importância da Amazônia. Na seção seguinte, são apresentadas explicações para diferenciar o que representa valorar e valorizar a Região. A introdução à apresentação das hipóteses do ensaio é desenvolvida na seção 3, a qual antecede uma breve nota sobre o que se considera como escassez no contexto do trabalho. Na seção seguinte, argumenta-se que é preciso ter um olhar econômico da Amazônia e por fim, a última seção, tece as considerações finais.

 

Alexandre Rivas, Ph.D.

Professor Titular do Departamento de Economia da UFAM

Presidente do Instituto Piatam

central.rivas@gmail.com