O setor de turismo do Amazonas registrou faturamento real de R$ 2,2 bilhões em 2019. Restaurantes e similares responderam pela maior parte do bolo (R$ 1,2 bilhão), seguidos pelos subsetores de transporte de passageiros (R$ 900 milhões) e de cultura e lazer (R$ 100 milhões). Os dados são do ICV-Tur, pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e do Cielo, que não informou o crescimento do Estado em relação a 2018.

Em relação aos empregos com carteira assinada no setor, o Estado encerrou o ano com saldo positivo de 517 vagas, segundo dados extraídos do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O número ficou abaixo, no entanto, do quantitativo apresentado nos 12 meses de 2018 (+637), tendo sido impactado negativamente pelo corte de postos de trabalho apresentado na passagem de novembro para dezembro (-296).

Em nível nacional, o índice que mede o faturamento real das empresas subiu 2,2% em 2019 sobre 2018, totalizando R$ 238,6 bilhões. As contratações de pessoal subiram pela segunda vez consecutiva e em uma dimensão bem maior do que em 2018. Ano passado, foram criados 35.692 novos postos de trabalho, configurando taxa de 163,6% em relação às vagas de 2018.

No texto da pesquisa, a CNC assinala que as vendas do setor vêm se recuperando num ritmo compatível com o desempenho da economia e que o saldo de empregos denota o relativo avanço na recuperação, mas ainda está longe de compensar o déficit ocorrido entre 2015 e 2017.

Regiões e segmentos

No total do setor, verificou-se a maior participação das vendas das atividades de Restaurantes e Similares (53,3%), seguido por Transporte de Passageiros (26%) e Hospedagem e Similares (11%). Juntos, os três foram responsáveis por 90% das vendas turísticas (R$ 216,5 bilhões) do Brasil.

Todos os segmentos aumentaram vendas em relação a 2018. Transporte de Passageiros (+5,3%) foi o que revelou a maior taxa, seguido de Hotéis e Similares (+3,3%). Cultura e Lazer (+1,4%), Restaurantes e Similares (+0,7%) e Agentes de Viagens (0,9%) não registraram tanta intensidade de vendas, em razão da menor demanda.

De uma forma geral, o aumento no faturamento do turismo brasileiro ocorreu em todos os segmentos: Restaurantes e Similares (+0,7%); Hotéis e Similares (+3,3%); Agentes de Viagens (+0,9%); Cultura e Lazer (+1,4%) e Transporte de Passageiros (+5,3%). Mas o mesmo não se deu em todas as regiões, já que o Norte (-0,4%) apresentou redução nesse quesito no segmento de alimentação fora de casa.

O Sudeste liderou o ranking, com vendas de R$ 147 bilhões, 288% acima da região Sul, a segunda principal. “Apesar de serem regiões naturalmente ricas, a baixa densidade populacional e a distância das áreas mais demográficas explicam a menor participação do Centro-Oeste (6,9%) e do Norte (3%)”, explicou o texto da pesquisa.

Em nível nacional, a distribuição do emprego nas atividades ligadas ao turismo espelha a concentração das vendas observada no segmento de Hospedagem e Alimentação. Assim, a empregabilidade no Turismo concentra-se nas atividades deste segmento, que detém 67% do universo de trabalhadores, reunindo contingente de 1.981.951 empregados.

Dos quatro grupos do setor, o único a revelar diminuição das contratações no país foi Transporte de Passageiros (-10.569), em decorrência das demissões dos modais ferroviário (-1.900) e rodoviário (-14.756). O resultado poderia ser maior, não fossem as admissões das locadoras de veículos (4.759) e das empresas de transporte aéreo (1.244).

Em 2019, a criação de postos de trabalho no Turismo deveu-se à performance do maior segmento, com 43.564 novos empregos (+2,25%), seguido dos Agentes de Viagens com 1.575 (+2,30%) e Cultura e Lazer com 1.122 (+1,10%).

Coronavírus e dólar

O presidente da Abav-AM (Associação Brasileira de Agências de Viagens – Seção Amazonas), Roberto Cunhago, disse que estima que o setor fechou o ano passado com incremento de 2,5% nas vendas e já se preparava para uma nova alta de 5% em 2020, até que a eclosão do Covid 19 e a escalada do dólar começassem a gerar estragos no turismo emitivo e receptivo.