A Associação Amazonense de Supermercados (Amase), afasta o risco de desabastecimento de itens básicos de alimentação e higiene no setor supermercadista do Amazonas. A entidade também descarta a possibilidade de escalada nos preços em decorrência da pressão da demanda sobre a oferta desses produtos.

“Hoje, a situação é normal e não estão faltando mercadorias. Tanto é que as empresas estão até fazendo promoções. Os supermercados de outros Estados costumam durar uma semana. Dada nossa distância em relação aos mercados fornecedores, e nossa logística precária, trabalhamos geralmente com estoques para 20 a 30 dias e os produtos estão chegando normalmente”, amenizou o superintendente da Amase, Alexandre Zuqui.

O único produto que está faltando é o álcool gel mesmo, em virtude do pânico em torno da chegada da pandemia ao Amazonas. O dirigente ressalta que isso aconteceu em virtude da mudança de hábitos do consumidor amazonense e que não seria possível atender a súbita escalada da demanda per capta de um produto cuja demanda, até então, era pequena.

“Já seria difícil atender a demanda, se cada um dos mais de 3 milhões de habitantes do Estado quisesse adquirir um frasco do produto. Há muitos clientes que resolvem comprar logo uma caixa, o que não é necessário e impacta a oferta. Já estamos com pedidos negociados até por via área, já que o tempo de translado na via marítima/terrestre costuma demorar de sete a dez dias. Mas, a demanda é no país todo e não apenas em Manaus”, ponderou.

“Demanda normal”

Alexandre Zuqui revelou também que sobre o impacto do novo coronavírus nos negócios, apesar de não dispor de números recentes sobre as vendas, considera que estas seguem em “ritmo normal” para o período pós-Carnaval, em sintonia com as projeções inicias do ano – e anteriores à eclosão do Covid 19.

A Amase mantém estimativa de alta de 4% nas vendas do setor, no final de 2020. “Os consumidores amazonenses costumam fazer compras semanalmente ou quinzenalmente e costuma concentrar suas compras em datas de pagamentos de salários e isso não mudou”, frisou.

Segundo o superintendente da entidade amazonense para os supermercados, a única hipótese que poderia trazer problemas para o abastecimento e preços dos produtos básicos no Amazonas seria se a demanda no Centro-Sul aumentasse em um nível que comprometesse a oferta para mercados mais remotos.

“Aí, creio que eles priorizariam a demanda local mesmo. Mas não creio que as coisas cheguem a esse nível. Embora a situação seja preocupante, estamos acompanhando sua evolução com tranquilidade e atenção, além de seguir as orientações da Secretaria Municipal da Saúde quanto aos cuidados sanitários e de higiene nos espaços dos supermercados”, amenizou.

Reposição e comitê

A avaliação da Amase acompanha o teor do mais recente comunicado da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), que também ainda não dispõe de números atualizados sobre a demanda do setor. A entidade informa que tem monitorado as lojas do país e que ainda não foi identificado nenhum problema de desabastecimento, e que o maior número de clientes em algumas lojas, no final de semana, apenas acelerou a reposição.

De acordo com a Abras, essa situação se concentrou mais em supermercados da capital paulista e em bairros das classes A e B. Conforme observado, os produtos mais adquiridos em tais lojas, no período, foram macarrão, molho de tomate, azeite, sal, bolacha, torrada, creme de leite, leite condensado, açúcar, achocolatado em pó, café, leite, água, suco, papel higiênico e – principalmente – álcool gel.

“Não há risco de falta de alimentos nas lojas. O setor supermercadista brasileiro opera com normalidade. Portanto, a população não precisa se preocupar, os supermercados estão preparados, inclusive, para aumentar o abastecimento, caso necessário, como já acontece em datas sazonais”, reforçou o comunicado da Abras.

A entidade nacional acrescenta que está atuando, por meio de um comitê, na análise do avanço do coronavírus no Brasil e na elaboração de ações de comunicação que possam conscientizar a população sobre a importância da prevenção dentro e fora das lojas, conforme orientação do Ministério da Saúde. A Abras salienta ainda que está em contato com a indústria para garantir a normalidade do abastecimento com segurança para a população.

“Ressaltamos, ainda, que a higienização de carrinhos e cestas já acontece nas redes, conforme estabelecido na lei 13.486/2017. Estamos atuando em parceria com os governos estadual e federal no combate à propagação do Covid-19 pelo Brasil. Entendemos que o enfraquecimento do avanço do coronavírus deve ser o maior objetivo dos brasileiros no momento. As boas práticas na manipulação de alimentos e a higiene são fundamentais nesse processo. O abastecimento, a saúde e a segurança dos 27 milhões de consumidores que entram nas 90 mil lojas do país diariamente, são a nossa prioridade”, encerrou o texto da Abras.