RELAÇÕES INTERNACIONAIS: 80% REALISTA E 20% IDEALISTA

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RELAÇÕES INTERNACIONAIS: 80% REALISTA E 20% IDEALISTA

*O teorema de Pareto, idealizada pelo economista Vilfredo Pareto, foi formulada por este estudioso ao chegar à conclusão em seu estudo que, em geral, 80% da renda de uma nação estava nas mãos de apenas 20% da população.

A partir daí a regra 80/20 (Teorema de Pareto) se disseminou como rastilho de pólvora pra diversas áreas e objetos de análise de que se tem notícia. Por exemplo, conclusões como 80 % da poluição é causada por 20% dos países ou que 80% da receita de uma empresa provém de 20% dos clientes. As percentagens podem variar entre 85/15 ou 75/25, dependo da situação analisada.

Ao estudar relações internacionais, o pesquisador irá encontrar, como em qualquer ciência, diversas teorias, as quais tentam explicar ou simplificar o que ocorre na arena internacional e entre seus atores, tais como os Estados, as organizações internacionais, as organizações não-governamentais, as empresas transnacionais, os atores governamentais não centrais, os atores intra-estatais não governamentais e os indivíduos (OLIVEIRA, Odete Maria de. Relações Internacionais: estudos de introdução. Curitiba: Juruá, 2001).

Entretanto, duas correntes ou teorias costumam predominar, a corrente realista e a idealista.

A realista sugere que os Estados vivem em constante conflito de interesses, podendo ser uma guerra, um conflito comercial, uma disputa ideológica, entre outros. Nesta corrente, os Estados atuarão o máximo possível para maximizar os seus ganhos à revelia dos outros países.

Já na corrente idealista, os Estados vão construindo cada vez mais um mundo integrado, globalizado, com interesses comuns, relações “win win” (ganha ganha), com o objetivo de alcançar uma harmonia e paz universal. Talvez a maior expressão desta corrente seja a Organização das Nações Unidas, criada após a II Guerra Mundial.

O fato é que quando as coisas vão bem, existe uma certa tendência, pelo menos a olho nu, de que o mundo caminha na corrente idealista, apesar dos diversos tipos de problemas.

Mas quando as coisas começam a desandar e os problemas a pipocar, o realismo toma conta do cenário e o individualismo entra em ação, desaguando no cada um por si ou na relação “win lose” (ganha perde).

A realidade, mesmo em tempos de calmaria e percepção de que o idealismo avança, é que quem dá as regras é o realismo. Tanto é assim que os serviços secretos de espionagem dos países trabalham 24 horas por dia, nos 7 dias da semana e ao longo dos 365 dias do ano. O objetivo disso é fazer com que cada país obtenha informações sigilosas e estratégicas que possam ser usadas contra os inimigos e potenciais concorrentes.

A regra de Pareto entra novamente em ação. Digamos que são 20% de enganação idealista para 80% de obscurantismo realista nas relações internacionais.

Nos encontros oficiais entre Chefes de Estado, olhares e “trocas de carinhos” costumam de vez em quando sair à tona e dominar páginas de jornais, dando a entender que os países chegaram a um nível muito alto de confiança e cooperação.

Ledo engano. As artimanhas nas salas ao lado estão a todo vapor. É a raposa querendo devorar o coelho.

Na atual crise mundial de saúde desencadeada pelo coronavírus, o espaço Schengen europeu já foi para o espaço há muito tempo. A então relação amorosa entre Brasil e Estados Unidos encontra-se sob suspeita. A China é apontada como a causadora do denominado “vírus chinês”, ao mesmo tempo em que países (que criticam a China) correm até a “fábrica do mundo” para se socorrerrem de máscaras, luvas, testes rápidos e respiradores pulmonares. E pra completar, Estados brigam entre si por estes mesmos materiais, chegando a oferecer quantias bem maiores pelos produtos mesmo sobre contratos já fechados.

A tirania entre os Estados se sobrepõe. A lógica é o “meu estado em primeiro lugar” e “minha população em primeiro lugar”.

O que era slogan de campanha “America first” (América em primeiro lugar) torna-se a mais absoluta realidade. O individualismo humano se transforma num individualismo coletivo representado pelos Estados.

Alguém assustado? Talvez os despreparados. Os países subalternos, que se humilharam pelo reconhecimento de “aliado” de um país mais forte. Que fizeram e fazem de tudo para se tornarem um Estado pertencente ao clube dos ricos, mesmo sem ser rico, abrindo mão de seus privilégios como país em desenvolvimento perante a Organização Mundial do Comércio – OMC.

Verdadeiros Estados vassalos, que abrem mão aqui e ali de sua soberania e de uma larga tradição diplomática por uma migalha de “benefícios”.

Estados vassalos que compram brigas imaginárias contra outros Estados pelo simples prazer ou dever de seguir o “país líder”.

Países estes que não aprendem com a sua própria história, com os fatos e com o andar cíclico das simulações e das trapaças.

E no momento de desespero, em que os Estados vassalos mais precisam do Estado líder, lhes é negado ajuda, mesmo diante do desespero e com o desrespeito do direito internacional e de um dos mais basilares direitos, o respeito a um contrato já firmado.

É nestas horas de caos e desespero que novamente os Estados vassalos terão que aprender que o realismo e o pragmatismo imperam entre as nações, como já dizia o pai do realismo, Hans Morgenthau, e que America always come first.

*Farid Mendonça Júnior
Economista, advogado e administrador

Por |2020-04-06T15:06:10-03:00abril 6, 2020|ADMINISTRAÇÃO FISCAL|0 Comentários

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