Dia da Indústria é mais um dia de luta em defesa dos interesses da indústria, disse o presidente do Sistema FIEAM, Antonio Silva, a respeito das comemorações em torno do dia 25 de maio, data consagrada à indústria nacional. Para o empresário, é preciso preservar a indústria, setor que mais gera riqueza para o país: são aproximadamente 28% a mais em relação ao que gera a agricultura e 35% a mais em relação a serviços. No Amazonas, a atividade industrial agrega ainda mais valor à produção comparada à média da indústria de transformação do país.

Líder dos 27 sindicatos patronais reunidos na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, Antonio Silva diz que é perfeitamente natural que a indústria tenha se tornado, nos últimos 50 anos, o fator responsável pela melhoria de quase todos os indicadores do Estado, do socioeconômico ao ambiental. “Desde a consolidação do modelo Zona Franca de Manaus e da atividade industrial, o Amazonas viu cair os índices de desmatamento dentro das suas fronteiras e adjacências. Esse já é um bom motivo para comemorar o Dia da Indústria e os resultados do Polo Industrial de Manaus (PIM)”, disse. Mas tem mais.

Que outro fator permitiria ao Estado elevar nos patamares atuais a geração e arrecadação de tributos tanto estaduais, quanto municipais e federais, questiona o empresário, a ponto de Manaus ocupar a sexta posição entre os municípios com as maiores participações no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, de acordo com os números mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ou o fato do Amazonas ser o 7º Estado com maior participação na arrecadação federal. Em 2020, segundo o Portal da Transparência, o governo federal arrecadou R$ 21 bilhões com impostos cobrados no Amazonas – e repassou para o Estado menos da metade, R$ 9,5 bilhões.

“Além de ter melhorado o nível de emprego, as condições de moradia da população e de ter ajudado a expandir a escolaridade na região, a indústria do PIM tem o mérito de promover o crescimento da renda per capita local acima da média nacional, com salários também acima da média”, disse o presidente da FIEAM.

Antonio Silva enalteceu a resiliência demonstrada pelos empresários do PIM, chamados por ele de “bravos empreendedores”, por terem vencido todos obstáculos e alcançado êxito para o progresso e o desenvolvimento da indústria do Amazonas e da região Norte. “A mensagem que eles deixam para nós e para as gerações futuras é de que perseverar no planejamento, na inovação e na reinvenção são predicados de pessoas, homens e mulheres que nunca desistem de seus ideais”, disse.

Pandemia e reforma

Em meio aos efeitos da grave crise sanitária provocada pela pandemia do Covid-19 no Amazonas, o setor produtivo do Estado teve que se reinventar para se adaptar à nova realidade, com destaque ao valor humano, na avaliação do presidente do Sistema FIEAM, Antonio Silva. As indústrias, segundo ele, demonstraram em parte o que já se praticava na ZFM, movidas por um propósito que vai além do lucro. Mas a experiência serviu para abrir os olhos sobre a importância das pesquisas científicas e, em um nível mais amplo, para mudar paradigmas no comportamento dos governos, fazendo com que sejam buscadas alternativas mais sustentáveis.

Dizendo-se um otimista contumaz, Silva afirmou ter boas expectativas em relação ao principal modelo de desenvolvimento regional e ao crescimento da importância do PIM na economia não só do Amazonas, mas de toda a Amazônia Ocidental e do Brasil.

Ele acredita que não há com o que se preocupar em relação à recente proposta do governo de fazer uma reforma tributária fatiada porque, como está, a proposta mantém intocada a ZFM. Para Antonio Silva, a proposta de unificar PIS e Cofins é vantajosa à indústria por possibilitar o desconto de gastos com insumos ao longo do processo produtivo. Além disso, a proposta, segundo ele, mantém os regimes diferenciados ou as exceções à regra, como a Zona Franca de Manaus, e assegura o direito às simplificações das normas e procedimentos que forem aprovadas.

“Vamos aguardar a segunda parte da reforma que, provavelmente, apresentará questões referentes à simplificação e modificação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Deveremos ter o máximo de atenção a fim de que sejam minimizadas quaisquer repercussões negativas na atividade econômica da ZFM”, disse o empresário. “Mais do que nunca estaremos atentos, compartilhando e dando suporte aos nossos parlamentares, tanto na Câmara quanto no Senado. Nessa questão estamos todos coesos para que os impactos negativos para a ZFM sejam eliminados ou minimizados”.

Antonio Silva vê como desafio ao desenvolvimento industrial do PIM a conciliação da Indústria 4.0, fator essencial para não ficarmos atrás na competitividade, eficiência e qualidade tecnológica. “E como será feita essa passagem”, pergunta. “No meu modo de ver, com planejamento, investimento e capacitação de pessoal, além de disseminar as oportunidades de negócios, com bioprospecção e mapeamento de novas espécies da biodiversidade. A indústria local, utilizando a bioeconomia pode contribuir para saltos significativos de produção e inovação em setores de alto valor agregado, como o fármaco, o químico e o de bioinsumos. O que vai ajudar na manutenção da floresta em pé”, garantiu.

Dia da Indústria

O dia 25 de maio foi instituído como Dia da Indústria para homenagear o engenheiro industrial, intelectual, político e empresário brasileiro, fundador da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Roberto Cochrane Simonsen (1889-1948), que faleceu nesse dia, aos 58 anos. Roberto Simonsen dá nome ao estádio de futebol mantido pelo Sistema FIEAM no SESI Clube do Trabalhador.