Após passarmos por momentos de fortes oscilações nos mercados do mundo e do Brasil em março, estamos presenciando uma boa recuperação no preço dos ativos nos meses de abril e maio. Contudo, ainda não é possível afirmar que daqui em diante teremos um cenário consistente de recuperação, pois, no Brasil, ainda existem incertezas econômicas desafiadoras, sendo a política fiscal a mais importante, além de problemas de cunho político que, dependendo do desenrolar dos acontecimentos, podem impactar negativamente o preço dos ativos.

Por outro lado, observamos alguns pontos positivos, como a possível descoberta da vacina contra a COVID-19 e o início da reabertura gradual da economia em vários países, possibilitando a retomada da economia mundial.

Esses sinais são favoráveis para os mercados, pois, como sabemos, parte dos preços dos ativos são movidos não só por fatos, mas também por expectativas. Este efeito positivo está possibilitando recuperar boa parte da rentabilidade negativa dos investimentos no ano.

O Credit Default Swap 

Apenas relembrando, desde o pior momento, em março deste ano, onde a bolsa acumulava perdas de 37%; o risco país medido pelo Credit Default Swap – CDS com vencimento em 5 anos (negociado internacionalmente em pontos base) chegou a subir de 99 b.p. em dezembro de 2019 para 383 b.p no pior momento, e ainda; naquele cenário de alta volatilidade, tivemos algumas correções de preços que possibilitaram um bom retorno para os planos. Como exemplo, nos gráficos abaixo, algumas correções que ocorreram na bolsa e no risco país.

Com a melhora na percepção de risco, as correções nos preços dos ativos foram visíveis, principalmente os vinculados à renda fixa e à renda variável, proporcionando uma boa recuperação da rentabilidade dos planos em abril e maio.

Se tomarmos como exemplo o Plano BD Eletrobrás, que chegou a ter um rendimento negativo de 10,8% acumulado até março, este recuperou 3,2% no mês de abril e em maio. Segundo nossa estimativa, a rentabilidade deve ser em torno de 2,90%. Neste contexto, compondo as duas rentabilidades preliminares do Plano BD Eletrobrás, em dois meses ela chegaria a 6,2%, passando, portanto, para -5,2% no acumulado do ano.

Recuperação observada

Essa recuperação também foi observada nos outros planos administrados pela Eletros, variando para mais ou para menos de acordo com o perfil de investimento.

Embora a rentabilidade neste ano ainda esteja aquém do desejado, entendemos que por estarmos falando de previdência, devemos olhar este cenário com uma perspectiva de longo prazo. Temos falado sobre esse tema em nossas cartas e relatórios publicados no site e, mais recentemente, na reunião online que realizamos sobre perfis de investimentos.

Gostaríamos de reforçar nossa expectativa quanto ao cenário prospectivo para os investimentos. Em nossa avaliação, mesmo diante das dificuldades fiscais que teremos pela frente, no médio e longo prazo temos uma visão positiva para ativos de risco, como no caso da bolsa. Além disto, dadas as distorções de mercado provocadas pela crise, estamos aproveitando as oportunidades para readequar as carteiras de investimentos e, assim, no decorrer do tempo, elevar o potencial de retorno dos planos.