Ao apresentar o Polo Industrial de Manaus aos integrantes da Missão Suíça, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, o vice-presidente da instituição, Nelson Azevedo, esclareceu que as atividades desse polo, que vão dos segmentos metal-mecânico aos bens de informática, são desenvolvidas com absoluto respeito e em perfeita harmonia com a natureza.

Para o ministro na Embaixada da Suíça, em Brasília, Boris Richard, natureza e meio ambiente estão inseridos entre os três temas que motivaram a vinda da Missão a Manaus, que inclui a identificação de parceiros para futuros negócios. Além do ministro, o grupo suíço foi formado por Philippe Praz, diretor da Switzerland Global Enterprise (S-GE), agência oficial de promoção de comércio e investimento internacional, representada no Brasil pela Swiss Business Hub Brazil, Leonardo Machado, responsável do escritório Swissnex, que trata de questões acadêmicas em pesquisa e inovação, e Duno Gerber, cônsul no Amazonas.

De acordo com Nelson Azevedo, o PIM, além de ser um dos maiores e mais importantes polos industriais do país, desempenha um papel fundamental na preservação da floresta. É graças à atividade industrial, disse ele, que o Amazonas mantém 97% de sua cobertura florestal preservada. “A população do Estado chega a 4,2 milhões de habitantes, sendo que mais de 50% estão na capital. Se o modelo Zona Franca acaba a maior parte desse contingente volta para o interior, e lá vai viver de quê, de derrubar a floresta”, disse o vice-presidente da FIEAM.

Antes de apresentar as potencialidades regionais para futuros negócios do Amazonas com a Suíça, o secretário Executivo de Desenvolvimento, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Renato Mendes Freitas, apresentou alguns números das desvantagens brasileiras nas relações econômicas entre os dois países, a começar pela balança comercial do ano passado, onde o Brasil importou muito mais do que exportou, o que gerou um déficit de US$1,3 milhões.

Também com relação ao Amazonas, a balança é favorável à Suíça e deficitária para o Estado, segundo Renato Freitas. “Em 2019, nós vendemos para a Suíça US$285 mil e compramos US$ 13,6 milhões. Entre os produtos que vendemos para os suíços o grande destaque são as nossas frutas e os peixes ornamentais.

De acordo com levantamento da Sedecti, são poucas as empresas suíças com filiais no Brasil, incluindo as gigantes do ramo de indústrias farmacêuticas Novartis e Roche. “Ainda não conseguimos trazer essas empresas para o Amazonas, lembrando que já temos aqui a maior empresa da América do Sul em medicamentos sólidos, a EMS, de capital brasileiro, com uma produção de 1,5 bilhão de comprimidos por mês. A EMS pode inclusive servir de modelo para outras empresas do ramo de capital suíço”, sugeriu Freitas.

Líder e um dos articuladores da Missão, definida por ele como Seminário de Investimento, o diretor da S-GE, Philippe Praz, apresentou a Swiss Business Hub como uma espécie de Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), que se ocupa das empresas suíças interessadas em exportar seus produtos e identifica parceiros no exterior interessados no mercado suíço. “Por isso, acreditamos que tanto o Brasil quanto a Suíça têm muito a se beneficiar com uma interação econômica mais ativa”, disse ele.

Promovido pela FIEAM, por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN), o Seminário contou com participação dos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Francisca Souza e Jaime Aguiar, o empresário e pesquisador Evandro Silva, da Pronatus, e o empresário Schubert Pinto Filho, da Pharmakos D’Amazônia, entre outros convidados.

*Com informações da assessoria