Pesquisa desenvolvida pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), sob a liderança do diretor adjunto Sandro Breval com apoio da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), demonstra o impacto de tecnologias da indústria 4.0 no Polo Industrial de Manaus, considerando os eixos de gestão, processo e tecnologia. A sondagem apontou aumento de 208% de incremento de produtividade na comparação com a capacidade anterior das linhas de produção das empresas pesquisadas.

O levantamento foi realizado com uso de simulação computacional e entrevistas in loco em linha de produção do segmento eletroeletrônico e seus fornecedores locais. A metodologia utilizada na pesquisa trabalha com dados reais do processo produtivo, mapeando linhas e todos os atores da cadeia, principalmente os fornecedores locais (just in time).

Com a inserção dos dados em uma amostragem computacional e de tecnologias da indústria 4.0, como monitoramento online, IOT e braço robótico, por exemplo, além de melhorias na gestão e processo, o estudo apresentou aumento de 208% de incremento de produtividade.

“Encontrei linha de produção que precisaria apenas de balanceamento do tempo de ciclo, sem necessidade de tecnologias da Indústria 4.0, portanto bastaria o ajuste na atividade e já apresentaria um ganho de 30%”, disse Breval, ao ressaltar a necessidade de desmitificar a questão conceitual da Indústria 4.0, de envolver somente a tecnologia em si, atrelada diretamente ao aspecto de prontidão, mas também relacioná-la à gestão e processo, medindo a maturidade da cadeia de valor da empresa.

A grande problemática apresentada por ele, também, é a ideia de que quando você insere tecnologia, você desemprega. “Na amostragem que fizemos em uma linha de produção de 80 colaboradores, cerca de 29 operadores da linha de produção estariam sujeitos à perda de posição, porém 20 seriam realocados na cadeia de valor. De fato, perderíamos nove, porém o ganho salarial aumentaria consideravelmente para os que ficam”.

Aplicada de agosto de 2020 a março de 2021, a pesquisa analisou, a partir da linha de produção, aspectos como a mão de obra, tecnologias no processo, além do processo desenvolvido em si. Após simulação dentro da nova realidade, acima de 200% na produtividade do cliente, três grandes áreas foram diretamente impactadas: fornecedores locais, Institutos de Ciência e Tecnologia (ICT) e a parte de logística.

“Quando inserimos os dados e mostramos a nova demanda, fruto da nova realidade da Indústria 4.0 para essas áreas, todos apresentaram alguns gargalos para atendê-las de imediato e muitos chegaram a dizer que nem saberiam responder se conseguiriam atender a demanda por completo, ou seja, para mim essa é a maior preocupação. É mais do que comprovado que é preciso aumentar o nível de maturidade e prontidão desses fornecedores e da cadeia”, ressaltou Breval.

 Limitação dos Fornecedores, ICT e Logística

Com entrevista in loco com o próprio gestor fabril e apresentando a nova programação de demanda do cliente, de acordo com o pesquisador, os fornecedores relataram que seriam necessários  ajustes, como aumento de turno, equipe e máquinas. Além de muitos não terem capacidade instalada para atender a nova demanda e apresentarem certa incipiência tecnológica, com processos semiautomatizados ou não automatizados.

“No geral, para o fornecedor, atualmente é impossível essa nova demanda, porque se você ainda tem incipiência tecnológica, não tem capacidade, baixa visibilidade e reprogramação, é difícil operacionalizar. Aí que entra a indústria 4.0, quanto mais você está dentro dessa indústria, mais responsividade você consegue ter e agilidade para atender aquele pedido”, reforçou ele.

Para a parte de desenvolvimento e programação, os ICT demonstraram que atualmente não têm pessoas preparadas para atender essa demanda tecnológica, por outro lado, seria possível identificar essa mão de obra para, em médio/ longo prazo, atender. “No caso deles é mais uma questão de identificar essa nova mão de obra, porque são mais aderentes a essas questões tecnológicas. Apesar de tudo, foi visto que de imediato não tinham”, afirmou Breval.

Na logística, as empresas analisadas foram as que operam com terceirizado logístico (3PL), mesmo tendo um departamento de materiais ainda incipiente, que cuidasse dessa parte dentro da própria indústria. Quando apresentada a nova demanda, também não poderia ser atendimento de imediato, mas era escalável. “Achei que por vivermos em uma contingência logística, senti essas áreas mais adaptáveis como uma nova realidade”.

 Maturidade x Prontidão

O estudo que mede o nível de maturidade e prontidão da Indústria 4.0 nas empresas do segmento eletroeletrônico instaladas no PIM é uma subpesquisa, fruto de um estudo iniciada em 2019, que apontou que 57% das empresas reconhecem a importância da Indústria 4.0, mas ainda não a contemplam nas suas estratégias. Nessa primeira amostragem, a pesquisa detectou também que 92% dos colaboradores das empresas do segmento têm pouca/ nenhuma habilidade digital.

Com esses dados da Indústria 4.0, o diretor adjunto da FIEAM e doutor em Engenharia da Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Sandro Breval, explica que a próxima etapa da pesquisa é mais focada na maturidade desses fornecedores locais (just in time). Segundo ele, possivelmente, se ampliasse a maturidade dos fornecedores, os ganhos poderiam ser maiores.