Durante a mesa redonda “Mecanismos econômicos para o desenvolvimento da Amazônia”, no segundo dia da Expo de Bionegócios do Amazonas, o Dr. James Kahn, professor da Washington and Lee University (WLU), sediada nos Estados Unidos (EUA), destacou a oportunidade de tratar de um assunto de suma importância para o Brasil e especificamente para Amazônia. Ele enfatizou a importância do Polo Industrial de Manaus para a conservação da Floresta Amazônica, sendo que a implantação do PIM pode ter reduzido em até 80% o desmatamento no Estado do Amazonas. Segundo ele, o desmatamento no Amazonas é muito reduzido quando comparado a outros estados como Pará, Mato Grosso, Tocantins e Acre.

Dr. James Kahn sugere atividades alternativas para fontes de renda com baixo impacto para a floresta, como ecoturismo, pesca esportiva e silvicultura sustentável. Segundo o professor, apesar do cenário atual de insegurança quanto ao governo, desmatamento e impactos da pandemia, ainda podemos ser persistentes para um futuro com perspectivas mais positivas.

O presidente do Instituto PIATAM e professor da Universidade Federal do Amazonas, Dr. Alexandre Rivas, iniciou seu debate destacando os mecanismos que podem ser abordados para o desenvolvimento da Amazônia, enfatizando as diversas percepções atuais. Ele propõe uma quebra no modelo atual de desenvolvimento de comando e controle. Alternativas a esse modelo foram destacadas em projetos inovadores do Instituto PIATAM como o PSA-PESCA, que tinha como objetivo reduzir o impacto ambiental no município de Barcelos, a partir da cobrança de um valor em reais sobre o número de dias de pesca de cada pescador esportivo, sendo esse valor arrecadado convertido em medidas de sustentabilidade da pesca do tucunaré e outras melhorias para o município.

Outro destaque do Dr. Alexandre Rivas foi o lançamento do site www.biobusiness.com.br, voltado para o desenvolvimento do setor de bionegócios do Amazonas.

A Dr. Tatiana Schor da SEDECTI, fez questão de enfatizar o papel do Estado no desenvolvimento de bionegócios. Uma das questões levantadas foi a dificuldade em estruturar um mercado moderno no setor, sendo necessário dispositivos que assegurem mais segurança jurídica para as empresas. No entanto, exemplos práticos de melhorias das medidas de fomento para alguns bioprodutos já estão em curso, como no mercado da castanha do Brasil e do pirarucu de manejo. Medidas visando melhorias na qualidade desses bioprodutos estão em curso, com parcerias da Universidade Federal do Amazonas, Instituto Federal do Amazonas e Universidade do Estado do Amazonas. Segundo Schor, estruturar mercados alternativos com uma visão sustentável é o principal desafio da Amazônia.

O moderador da mesa redonda, Dr. Sérgio Gonçalves, professor da Universidade Federal do Amazonas, enfatizou a assimetria das cadeias de valor dos produtos. Ele destacou a importância do ator principal do mercado de bionegócios da Amazônia, que são os empreendedores, a quem deve ser dado ainda mais incentivos e oportunidades.