Nesta quinta-feira (7), comemora-se o Dia Mundial do Algodão. O Brasil é o quarto maior país produtor e o segundo principal exportador da pluma no mundo. A  renda dos produtores este ano é estimada em R$ 26 bilhões pelo Ministério da Agricultura e as exportações devem superar os US$ 3 bilhões. A pluma é considerada uma “grande oportunidade para o futuro”, na visão da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) .

Da lavoura ao tecido

No mundo, a produção de algodão é de quase 24,5 milhões de toneladas (safra 2020/2021), de acordo com estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No Brasil, a Abrapa estima que, na safra 2020/2021, foram plantados 1,38 milhão de hectares e colhidos 2,33 milhões de toneladas, em um ano marcado por problemas climáticos na produção.

Por aqui, a pluma é cultivada, principalmente, na segunda safra, na sequência de culturas como a soja. Mato Grosso e Bahia são os principais produtores nacionais. É uma lavoura que exige cuidados de manejo, maquinário adequado e mão de obra qualificada. Júlio Cézar Busato, presidente da Abrapa, afirma que, em função da sua exigência de fertilidade, o solo só está apto para receber o algodoeiro quando a área já foi utilizada para agricultura por volta de 8 a 10 anos.

Após o plantio, a semente tem um ciclo de desenvolvimento que varia entre 130 e 180 dias. Nessa etapa, devem ser evitadas as pragas, em especial, o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), um besouro que já foi responsável por destruir grandes lavouras brasileiras.

Quando a fibra chega à indústria, passa também por uma série de processos, que implica em cuidados para manter a qualidade da matéria-prima, explica Marcos Aurélio Sousa Rodrigues, diretor-industrial da empresa Cataguases.

“O algodão chega na nossa empresa em plumas compactadas em fardos. Armazenamos e classificamos as qualidades das fibras de acordo com os dados que recebemos da lavoura e as testagens em nosso laboratório para montarmos receitas uniformes de algodão e manter a qualidade de acordo com nossos parâmetros internos”, afirma o diretor.

Ele explica que são várias as etapas de fiação até chegar á tecelagem. Os fios são direcionados para etapa de preparação, em que serão produzidos os rolos de urdume para alimentação dos teares e também consumidos diretamente na forma de trama. No processo de engomagem, são aplicados produtos para aumentar a resistência do urdume para tecer.

Concluída a revisão do tecido em cru, inicia-se o processamento químico-físico do beneficiamento. Primeiro, são retiradas as impurezas que podem resultar do processo de engomagem e os tecidos passam por branqueamento químico, para possibilitar a coloração. Depois, os tecidos são coloridos por tingimento ou estampagem. Na terceira e última etapa,  passam por um conjunto de processos que fornecem ao material propriedades relacionadas ao seu acabamento.

Após uma revisão, os tecidos são classificados e encaminhados ao Centro de Distribuição. Segundo Rodrigues, de todo o algodão colhido, apenas cerca de 40% a 42% são considerados viáveis para a utilização nos processos têxteis destinados a virar tecido.

O diretor da Cataguases afirma que a produção atual da empresa é de aproximadamente 15 milhões de metros por ano e, que, apesar do foco no consumo interno, “20% da produção é direcionada à exportação”.