Os resultados da indústria local em março revelam um grande esforço de recuperação, amenizando o impacto econômico que, com o agravamento da pandemia, foi menor que o inicialmente previsto. O resultado da Pesquisa Indicadores Industriais Locais, realizada pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que a expectativa de queda acentuada da atividade industrial no 1° trimestre já se converte na possibilidade de crescimento. O avanço da vacinação, apesar de lento, gera perspectiva de melhor desempenho no 2° trimestre, embora haja ameaça de uma terceira onda. A tendência observada até o momento sugere um contínuo crescimento do desempenho da indústria local. Nessa pesquisa por amostragem de médias e grandes empresas do estado, verificamos que o faturamento da indústria cresceu 51,9% em relação ao mês anterior, 150,8% de crescimento na comparação com o mesmo mês do ano passado e, no trimestre, o faturamento foi superior ao mesmo período de 2020 em 85,2%. O emprego na indústria apresentou aumento de 1,3% na comparação com o mês de fevereiro, 6% em relação a março do ano anterior e no trimestre, 7,8% maior que o mesmo período de 2020.

As horas trabalhadas também acompanharam o bom desempenho, registrando aumento de 18,9% em relação a fevereiro, 33,8% superior a março do ano passado e com aumento de 6,5% no trimestre em relação a igual período do ano passado. A massa salarial e a utilização da capacidade instalada (UCI) foram índices que apresentaram resultados positivos apenas em relação ao mês anterior, respectivamente de 1,8% e 2,6 pontos percentuais (p.p.). Comparados a março de 2020, apresentaram queda de 15,6% e 8,2 p.p. e, no trimestre, redução de 10,6% e 12,6 p.p., respectivamente. Atualmente o índice apresentado de UCI é de apenas 70% de ocupação. Portanto, as expectativas são positivas, levando-se em consideração a diminuição da pandemia no restante do país, revelado pelo acompanhamento da incidência da covid-19, que apresenta os estados com redução e estabilidade nos casos de mortes.

Contudo, mais uma barreira foi criada para impedir a recuperação econômica de forma mais acelerada. O Banco Central (BC), na tentativa de frear a inflação, aumentou a Selic, acreditando que a inflação é provocada pelo aumento da demanda por produtos. Entendo que o aumento da inflação é causado principalmente pela escassez da oferta de produtos, pelo aumento do custo de produção que é determinado pela falta e encarecimento de insumos, entre outros fatores. Nesse caso, o aumento dos juros prejudica os investimentos tão necessários para o aumento da produção e geração de empregos. Outra preocupação nossa, sem dúvida, é a discussão da Reforma Tributária, que traz muitas incertezas sobre o futuro do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM). É pouco provável que seja aprovada este ano, mas vamos manter vigilância e atenção.

Por: Antonio Silva – Presidente da FIEAM