Setores da economia buscaram mitigar o impacto da crise sanitária iniciada em 2020. Agricultura e indústria, por exemplo, contaram com exportações, favorecidas pelo câmbio. Comércio e serviços, no entanto, não puderam se apoiar na saída externa e foram mais impactados. O primeiro ainda encontrou alguma proteção nas vendas on-line, mas o segundo teve poucas alternativas.

Em maio de 2021, finalmente recuperou as perdas da pandemia. Vemos agora uma luz no fim do túnel, com a perspectiva de um segundo semestre positivo.

De fato, entre junho de 2020 e maio deste ano, comércio e serviços puxaram a geração de empregos, segundo a análise da CNC com base no novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

Comércio, apresentando saldo de 642,9 mil, e serviços, com 838 mil, foram os maiores responsáveis por vagas em números absolutos: 1,48 milhão de postos ou 57,3% do total.

Serviços cresceram 4,6%, contra 15% da construção, área que mais avançou proporcionalmente. O percentual já é o suficiente para gerar um saldo expressivo, indicando que o último setor a reaver o nível de atividade pré-pandemia voltou a computar mais admissões do que desligamentos.

Entre os setores, informática foi um dos que alcançaram maior expansão. De janeiro a maio de 2021, foram mais de 35 mil vagas. Destaque para as áreas web design e desenvolvimento de programas de computador.

Outro setor em franca ascensão, registrou exportação recorde de açúcar em 2020: chegou a 30,8 milhões de toneladas, com expansão de 72% em relação a 2019. O crescimento extraordinário se reflete na busca por profissionais no segmento.

Em contraponto, áreas altamente impactadas pela pandemia começam a indicar ampla recuperação, como é o caso de transporte aéreo e rodoviário.

No caso do transporte terrestre, a quantidade de pessoas em terminais cresceu 35,1% entre março e junho deste ano. Mas o fluxo ainda não alcançou os níveis pré-pandemia: está 14,3% menor do que o registrado em fevereiro de 2020. Por outro lado, o movimento de contratação indica um aumento da confiança para os próximos meses.

SOLUÇÕES

Desde o início da pandemia, a CNC trabalha no enfrentamento da conjuntura adversa. Entre 2020 e 2021, a entidade sugeriu ao governo federal medidas nos âmbitos trabalhista, tributário, financeiro e jurídico. Iniciativas focadas em reduzir impactos negativos da crise nas empresas, manter empregos e desburocratizar a obtenção do crédito.

Das 16 propostas encaminhadas pela CNC, oito foram implementadas e geraram benefícios para empresas e empregos. Pontos como linhas de crédito do BNDES e a prorrogação da carência para início do pagamento dos empréstimos no âmbito do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Outras seis sugestões foram implementadas parcialmente, como a que postergou o envio das obrigações acessórias e do recolhimento do imposto de renda e demais contribuições federais, das pessoas jurídicas e físicas, pelo prazo de 180 dias.

— Ao defender as empresas do comércio de bens, de serviços e  de turismo, a CNC está defendendo também os empregos que são gerados, a renda dos trabalhadores e os investimentos. É isso que mantém a roda da economia funcionando e é assim que vamos partir para uma retomada segura, com o avanço da vacinação e o controle da pandemia — ressalta o presidente da CNC.

SENAC

Nesse cenário de pandemia, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) manteve o compromisso com a formação profissional, agora com um novo impulso para o ambiente on-line.

Mesmo com o fechamento das escolas para aulas presenciais e a redução da alíquota de contribuição social destinada pelas empresas aos serviços sociais autônomos entre os meses de abril e junho, a instituição superou a marca de 71 milhões de atendimentos desde o início de suas atividades, em 1947.

A instituição qualifica e prepara os profissionais do comércio de bens, de serviços e de turismo. Respondendo aos desafios da pandemia, o Senac expandiu a oferta de qualificação à distância na área de tecnologia da informação e comunicação, com 40 cursos à distância, que alcançaram 21.608 matrículas.

Já o Programa Senac de Gratuidade (PSG) recebeu 331.595 matrículas e ofertou 62,9 milhões de horas-aula em 2020, quando também 136 mil adolescentes e jovens foram atendidos em programas de aprendizagem. Desde a criação do programa em 2008, o Senac já beneficiou aproximadamente três milhões com o PSG. No ano passado, a iniciativa recebeu investimento de R$ 1,6 bilhão.

Periodicamente, o Senac levanta os impactos de suas ações formativas na empregabilidade dos alunos egressos, observando a absorção pelo mercado de trabalho e a receptividade das empresas.