Contando com praticamente a totalidade dos membros efetivos do Conselho Superior do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) e entidades representativas da indústria do Amazonas e do Brasil, além dos professores doutores Márcio Holland (FGV) e Augusto Rocha (UFAM), estiveram excepcionalmente reunidos em videoconferência, pela primeira vez em 40 anos da fundação do CIEAM, para a realização da 80ª Reunião Ordinária do Conselho Superior cumprindo as orientações de distanciamento social e seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde.

O presidente do Conselho Superior, empresário Luiz Augusto Barreto Rocha, abriu a reunião destacando que o foco deste trabalho será alinhar alternativas e unir as entidades com respeito aos pleitos que a indústria irá apresentar para o enfrentamento da crise. “Nessa reunião inovadora temos a presença de praticamente todo o Conselho Superior do CIEAM, que agrupa algumas das principais lideranças empresariais do estado do Amazonas e mesmo do Brasil. Nosso propósito é que, de forma proativa, possamos desenvolver, alinhar e em seguida apresentar subsídios para a redação dos documentos formais que realizaremos para as três instâncias de governo de nosso país”.

 

A pauta da reunião cumpriu-se como oportunidade para o alinhamento das entidades e seus presidentes e representantes, Federação da Indústria do Estado do Amazonas (FIEAM) com a presença do presidente Antonio Silva, Associação de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (ELETROS) o recém reconduzido ao cargo de presidente, o amazonense Jorge Jr., Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) com Wilson Périco e Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), representado por João Mezari e Jeanete Portela, presidente da Comissão de Tributos do CIEAM e representante da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) na Comissão de Assuntos Tributários e Fiscais da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

A videoconferência contou com apresentações dos professores doutores, Augusto Rocha, coordenador da Comissão de Logística do CIEAM e coordenador da Coordenadoria do Sistema de Transporte e Logística, Infraestrutura, Energia e Telecomunicações (CINF) da FIEAM e Márcio Holland, Doutor e Pós Doutor em Economia pela Universidade de Berkeley, Professor na Escola de Economia de São Paulo da FGV, coordenador do Estudo FGV “Zona Franca de Manaus Impactos, Efetividade e Oportunidades” que realizaram levantamentos sobre os cenários da crise e propuseram alternativas de acordo com estudos documentados. Participaram também Saleh Hamdeh, Relações Institucionais e Governamentais CIEAM/FIEAM, além de dezenas de empresários líderes dos segmentos que compõem a ZFM, participantes do Conselho do CIEAM, todos unidos pela defesa da economia do Amazonas devido às implicações da pandemia no setor industrial amazonense.

Foi relatado que nesta quarta-feira, 20, o presidente do CIEAM, economista Wilson Périco, participou de uma reunião com o governador do Amazonas, Wilson Lima, em conjunto com outros representantes da indústria, comércio e serviços, para mapeamento dos riscos e apresentação de sugestão de soluções por parte do governo para minimizar os impactos na atividade econômica.

Sugestões de enfrentamento na economia

O professor e pesquisador Augusto Rocha disse estar acompanhando as medidas tomadas para pequenas empresas por outros países muito afetados pela crise do Coronavírus. “Conheço alguns empresários deste setor e tenho lido bastante sobre o que outros países estão fazendo. Destaco as medidas que a Inglaterra está tomando, me espelhei lá nessa sugestão de medidas. Precisam ser tomadas ações que respondam às necessidades das pequenas empresas. O primeiro pleito é o de R$ 15 mil reais de subvenção por até dois meses para empresas de 1 a 14 funcionários, se o faturamento cair 50% ou mais em relação ao mês de fevereiro de 2020, é necessário ter ‘dinheiro grátis’ para empresas de pequeno porte”.

Ainda sobre as sugestões de medidas, Rocha diz que a redução de salário e jornada precisa chegar até 100% dos salários para as empresas até 250 funcionários, pois empresas de menor porte têm uma estrutura de custos diferente, “o salário tem um peso muito expressivo, e isso precisa ser considerado para que essas empresas sobrevivam. O ponto central da minha fala é que nós não podemos ficar fazendo trocas, negociações tradicionais, ou o governo emite moeda e controla o nosso sistema econômico com abundância de recursos na mão de quem gasta ou nós quebraremos a maior parte das empresas de pequeno e médio porte do país por absoluta falta de capacidade financeira”, destaca Augusto Rocha.

 

Jeanete Portela, presidente da Comissão de Tributos do CIEAM e representante da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) na Comissão de Assuntos Tributários e Fiscais da Confederação Nacional da Indústria (CNI) ressaltou a importância desta reunião viabilizada pela tecnologia, a maioria conseguiu se adequar e participar dessa conversa. “Estou em home office desde segunda-feira e devo admitir que tenho trabalhado como nunca. Como trabalho em uma empresa global, estamos vivenciando em cinco continentes, pois temos operações em toda a Europa, na Ásia, América Latina e na China, especificamente. As nossas preocupações estão em um primeiro lugar centradas nas pessoas e depois logicamente na sobrevivência do n Entidades unidas

Jorge Jr., presidente da ELETROS, também participou do evento virtual e informou que a Eletros tem uma série de sugestões que serão incluídas no documento final, “estamos coletando junto aos associados, dentre os 19 que estão em Manaus, soluções e propostas. Estamos também fazendo o mapeamento de cada empresa sobre a questão dos insumos para termos um retrato fiel do caos que se avizinha e como iremos superar isso, precisamos tomar medidas urgentes porque a situação será pior do que se imagina”.

Medidas enérgicas: recuperação mais rápida e de menor custo

O professor Márcio Holland apontou ser fundamental o diagnóstico claro da crise, “sem um diagnóstico fica muito difícil haver uma atuação, e é isso o que está acontecendo agora. Há praticamente hoje um consenso de que o governo está errando no diagnóstico e nas ações, infelizmente”.

Holland traçou dois cenários por meio de gráficos comparando a crise caso fosse similar aos impactos da greve dos caminhoneiros ocorrida em 2018. “O cenário que nós tínhamos está em azul, ele está dizendo para onde estava indo o Brasil, saía de 1% e indo para 2% de crescimento. E se o choque fosse similar do choque da greve de caminhoneiros? Aquela foi uma interrupção local na cadeia de produção por 10 dias e o coronavírus é uma interrupção na cadeia global de produção e está durando muito mais que 10 dias. Por isso que nossa projeção já indica para o final do quarto trimestre deste ano que o crescimento acumulado estará negativo em 2,5%, num cenário que a gente já considera hoje como necessário existir a intervenção de políticas públicas, e daí a economia volta a se recuperar num formato em ‘V’ para meados de 2021, voltando a trajetória pé-surto de coronavírus”.

O outro cenário, no qual a pandemia se generaliza e o Brasil fica parecido com o Itália, “e o governo mantém o nível atual de intervenção de política pública que eu julgo muito tímida, não só eu, esse é um consenso que eu tenho falado com diversos outros economistas, se for mantido o nível atual de medidas anunciadas até ontem por parte do Ministério da Economia, da Secretaria do Trabalho e Previdência, em geral e do Banco Central, nós vamos caminhar para um derretimento próximo a 4,5% para o PIB este ano, indo para uma recuperação parecida com a recuperação pós greve dos caminhoneiros, ou seja, somente ao final de 2022 para 2023 estaríamos voltando a situação de alguma normalidade”, explica.

Sobre as propostas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Márcio Holland afirma ter estudado a lista de proposições. “Eu acho que elas deveriam ser mais agressivas do que estão sendo, precisam focar mais na manutenção do emprego e da renda ao contrário do que está sendo defendido do que corte do salário proporcional ao corte da jornada e antecipação de um possível 25% de seguro desemprego, o que é bem vindo, mas poderia ter um programa adicional que é o de redução de tributos condicional a sustentação do emprego e salários, opcional. Em síntese, eu preciso dizer para vocês que o surto de Coronavírus vai dar um impacto na atividade econômica bem mais severo que a greve dos caminhoneiros, e com medidas mais intempestivas e agressivas por parte do governo, neste exato momento, nós vamos economizar logo na frente porque a recuperação será mais rápida e menos custosa”.

Todas as ideias apresentadas durante a reunião e encaminhadas posteriormente serão reunidas em documento assinado por todas as entidades participantes da videoconferência e enviadas na próxima semana para todas as instituições governamentais e para a imprensa.

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