MICOLOGIA E NUTRIÇÃO, O NOVO CAMINHO SUSTENTÁVEL DA AMAZÔNIA 

Você sabe o que é Micologia e o que isso tem a ver com o futuro de uma humanidade que precisará em breve atender a demanda de 10 bilhões de pessoas? Micologia ou micetologia é a especialidade da Biologia que estuda os fungos. Os micólogos pesquisam taxonomia, sistemática, morfologia, fisiologia, bioquímica, utilidades, e os efeitos benéficos e maléficos das espécies de fungos, que podem ser parasitas, saprófitos ou decompositores. Os chamados fungos do Bem são os alimentos naturais ideais para quem prioriza dieta da qualidade focada na saúde integral. O cultivo do fungo pode ser feito em ambientes urbanos sob rigorosa atenção asséptica, claro. E hoje, em Manaus, vários restaurantes adotam esse ingrediente da gastronomia oriental milenar. Um futuro de plena sustentabilidade que já começou. 

 

A NOVA ERA DA SEGURANÇA ALIMENTAR 

Recentemente, para ilustrar a importância da Micologia na Amazônia,  foi realizado em Manaus o I Congresso de Micologia que reuniu alunos de graduação e pós-graduação, professores, pesquisadores e empreendedores interessados nos estudos dos fungos, suas aplicações e demandas de mercado. A programação incluiu várias áreas de aplicação da micologia como médica, ambiental, agronômica, biotecnológica, farmacológica e, especialmente, seu uso na alimentação. Os veganos e vegetarianos são amantes dos fungos, popularmente chamados de cogumelos.

 

AMAZÔNIA, ADEGUSTAR PARA ENTENDER E VALORIZAR…

 Em seu ensaio sobre “Alimentação indígena na América Latina”, a pesquisadora Esther Katz, da UnB, especulou sobre os itens de nutrição dos grupos étnicos do México e do Rio Negro, Amazonas (tukano, arawak e suas ramificações) que compartilham o mesmo sistema alimentar. Em muitos deles aparecem o aproveitamento dos cogumelos como fonte, ao mesmo tempo nutricional e medicinal, de nossas populações tradicionais. 

 

DINÂMICA NUTRICIONAL E NATURAL 

“De uma aldeia a outra, os recursos naturais são diferentes e desiguais: os peixes são abundantes em algumas zonas e raros em outras, como nas cachoeiras; os gostos variam também: em algumas aldeias, come-se cogumelos ou lagartas, em outras não”. Para ela, a dieta alimentar desses grupos pode ser considerada comida invisível, comida de pobres ou patrimônio culinário, indicando assim as linhas de pesquisa da dinâmica trófica tradicional dos índios do Amazonas.

 

LABORATÓRIO DE FUNGOS 

Há dois anos, uma exposição de cogumelos comestíveis e medicinais na sede do INPA, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, apontou caminhos para inclusão dos cogumelos numa dieta integral e integrada em elevados padrões de nutrição classe A no critério saúde e alimentação amazônica. Existe no Inpa um Laboratório de Cultivo de Fungos focado no aprimoramento de resultados dessa investigação. O CBA tem laboratórios de propagação. 

 

MERCADO EM ASCENSÃO 

Contam-se mais de uma dezena de cogumelos em condições de colocação no mercado, porque dispõem de pesquisas suficientes de segurança alimentar alinhadas com suas miraculosas propriedades de rejuvenescimento e higidez. Combinar nutrição e função terapêutica natural é o sonho de consumo da fração populacional esclarecida que prioriza longevidade e qualidade de vida. Proteína com atividade antimicrobiana do cogumelo ostra, ou espécies que liberam enzimas demandadas pela indústria de cosméticos ou de papéis para fins específicos de embalagens comestíveis. Há saberes, demandas e resultados para os cogumelos. 

 

 NEGÓCIOS SUSTENTÁVEIS  

Comentando as propostas levadas pelo governo Bolsonaro a Davos, o superintendente da Suframa, Coronel Alfredo Menezes, sublinhou que a transformarão  do CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia) – sob a batuta da Autarquia – num centro de negócios voltado à geração de produtos e empresas ambientalmente responsáveis já está em andamento.”Esta é a proposta do presidente quando desembarcou em Manaus em agosto último”.  Para o superintendente Menezes, a nova versão do CBA deve transformar a Amazônia em referência global na geração de negócios sustentáveis. O CBA ocupa uma área de 12.000 km² e tem 25 laboratórios dentro da área da Zona Franca de Manaus. Chegou a hora!