A pandemia da Covid-19 deixou marcas indeléveis e impôs muitos sofrimentos e dificuldades ao Setor Comercial do Estado do Amazonas. Segundo levantamento realizado pela CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, mais de 21 mil empresas comerciais desapareceram do mapa econômico do País.

A realidade das restrições impostas pelos governos, em todos os estados brasileiros, levou várias empresas à falência e desempregou milhões de pais de família.

No começo deste mês, a Suframa divulgou, em brilhante relatório, que o Setor Industrial faturou nos primeiros cinco meses deste ano de 2021, R$ 60,92 bilhões, equivalente a 11,17 bilhões de dólares.

Por sua vez, o Setor Comercial ainda continua desconhecido e, historicamente, desprestigiado. Não existem dados sobre seu desempenho.

Convém mencionar que, aqui no Amazonas, do final de dezembro de 2020 até o dia 9 de março de 2021, 94% das empresas comerciais estavam fechadas ou com grandes restrições de funcionamento, em decorrência da pandemia da Covid-19. Foram quase três meses sem funcionar com normalidade. Inadimplência, protestos e demandas trabalhistas foram os fantasmas mais presentes na vida dos empresários do nosso segmento.

Como não temos oficialmente o faturamento do Setor Comercial apresentado pelos órgãos governamentais competentes, vamos tentar focalizar o papel do nosso segmento pelos números da arrecadação do Estado do Amazonas, fornecidos pela Sefaz-AM.

No primeiro semestre deste ano, os valores recolhidos aos cofres do governo como ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), foram os seguintes:

– Setor Industrial – R$ 540,6 milhões, ou seja, 45,91%;

– Setor Comercial – R$ 637,1 milhões, ou seja, 54,09% do total arrecadado pela Sefaz-AM.

Vale ressaltar os seguintes fatos. Historicamente, o Setor Comercial sempre foi o maior contribuinte para os Governos em todos os níveis.

Vale destacar que a contribuição do Setor Comercial é a maior e mais expressiva dentre todos os segmentos da economia do Estado do Amazonas.

Mesmo com um menor faturamento, a contribuição para com o Estado e sua população é a maior.

Não nos move a intenção de confrontar e sim de demonstrar a realidade à população e às autoridades.

Nesta mesma linha de fatos, convém mencionar que o Setor Comercial é quem mais gera e mantém empregos no nosso estado. O maior contingente de trabalhadores está concentrado no Setor Comercial, três vezes mais que o Setor Industrial.

Então somos mais importantes e mais expressivos em três categorias:

– Maior Arrecadador de ICMS e outros tributos;

– Maior Empregador do Estado do Amazonas;

– Maior em Área de Abrangência e Atuação (capital e interior do estado).

Além de tudo isso que não é notado e nem valorizado, o Setor Comercial é a matriz econômica que atende e serve a população em todas as necessidades de consumo de bens, serviços e manutenção.

Os tempos de Olimpíadas, que ocorrem lá no Japão, nos levam a perceber que não é o atleta mais robusto ou musculoso que conquista as medalhas. É aquele que tem a melhor performance e o melhor desempenho.

Portanto, Medalha de Ouro para o Setor Comercial, que não obstante todas as restrições e dificuldades vividas, deu a melhor e mais expressiva contribuição ao povo do Estado do Amazonas.

 

 

 

 

Aderson Frota
Empresário do Comércio no exercício da presidência da Fecomércio-AM