Amazônia e Zona Franca de Manaus são referenciais indissociáveis que exigem as mesmas preocupações. A premissa sagrada do formato de desenvolvimento, que defendemos, é de que a economia do programa de desenvolvimento regional aqui adotado ande de braços dados com a ecologia. Somente assim, cumpriremos papel fundamental de garantir que a indústria do Amazonas se curve diante do altar da sociobiodiversidade amazônica. Isso é aprendizagem na Amazônia desde quando essa política do Estado brasileiro aqui se instalou. E há consenso entre as lideranças empresariais de que a economia do futuro já começou.

Para nós, sejamos sensatos, não nos atrai o conceito de futuro desconectado da história vivida até aqui. 0 desafio diário de reduzir as desigualdades regionais e os constrangedores indicadores de desenvolvimento humano de nossa região são elementos de uma trajetória: avanços, incompreensões e eventuais equívocos. 0 futuro não pode ser aceito como algo imponderável, idealista e desconectado do agora. Manter a floresta e proteger seus habitantes é exigir que o poder público aplique na região a riqueza que aqui é produzida, pois se trata de um preceito constitucional.

O documento Amazônia do futuro se assenta exatamente nesses pilares. Foi produzido pelas entidades da indústria, com a participação dos atores locais, tanto em economia como em desenvolvimento regional, e a colaboração direta e crítica da Fundação Getúlio Vargas. E uma de suas premissas é a criação de um colegiado regionalmente representativo para garantir este compromisso com transparência, eficácia métricas e propósitos com a sociedade. Não faz sentido estar no topo do ranking dos contribuintes da Receita Federal e ser um estado com 11 dos 50 piores IDH municipais do Brasil. Precisamos repensar o conceito de Amazônia legal. Isso não implica em ruptura do pacto federativo. Significa sobretudo assegurar o objeto de nosso compromisso sagrado. A economia do Centro-Oeste, suporte poderoso de nossa balança comercial, já disse a ministra da Agricultura, não pode avançar sua fronteira pecuária em cima da floresta. Queimadas ou desmatamento que ocorrem no Amazonas prejudicam o bioma e também a economia do Centro-Oeste, bem como a reputação do Brasil.

Nos Diálogos Amazônicos de ontem, na FGV, tivemos a presença do reitor da Universidade do Estado do Amazonas, instituição mantida pela indústria e parceira de vital importância no fortalecimento da equação economia e ecologia. A UEA atua em todos os municípios do Amazonas e é referência na qualificação dos recursos humanos de que precisamos para diversificar, adensar e interiorizar a economia resguardando a proteção florestal. E como fazer isso?

Está claro que os parâmetros fundamentais da iniciativa de desenvolvimento regional supõem 2 eixos, os programas prioritários de bioeconomia e tecnologia da informação e comunicação priorizados pela Suframa para, enfim, aplicar uma parcela, ainda tímida, da riqueza aqui produzida em programas regionais sustentáveis de emprego, renda e prosperidade de nossa gente. E isso é muito urgente.

 

Por: Antonio Silva/Presidente do Sistema FIEAM