A fauna e a flora do Bioma Amazônico, já conhecido pelas comunidades que o habita e utiliza, no caso da flora, como fonte de alimentos, energia, substâncias com fins terapêuticos, dentre outros, tem perdido cada vez mais espaço para atividades ditas mais rentáveis como a monocultura e a criação de gado de corte. Na verdade, na busca pela expansão de áreas agricultáveis, a Amazônia tem sido desbravada de forma não planejada e irracional, sendo sua diversidade ímpar substituída por pastos e monoculturas. Como consequência, levando à extinção inúmeras espécies e colocado em risco de tantas outras. 

Ademais, a falta de estudos científicos a respeito desses recursos tem colocado os conhecimentos já adquiridos empiricamente pela população em risco, uma vez que a maior comodidade proporcionada pelo modo de vida moderno acaba diminuindo o interesse dos mais jovens por estas informações. Prova disso, o fato de ser comum, em alguns locais, filhos não conhecerem alimentos que eram consumidos pelos pais em épocas não muito distantes. 

PREOCUPAÇÃO COM A SAÚDE

A região Amazônica apresenta grande número de espécies frutíferas com frutos comestíveis que são utilizados pela população há muito tempo, ao natural e na forma processada. A despeito da diversidade e do potencial de utilização de suas frutas, pouco tem se investido, do ponto de vista científico, na exploração dessas frutas como alimento e na geração de renda. Atualmente, a preocupação com a saúde tem levado os consumidores a ingerirem alimentos cada vez mais saudáveis, porém sem abrir mão da satisfação sensorial. A campanha, de âmbito mundial, “5 a day” preconiza o consumo diário de 5 porções de frutas e hortaliças, visto serem fontes inexoráveis de vitaminas, minerais, fibras e fitonutrientes, contribuindo efetivamente para a boa nutrição do indivíduo e prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. 

Os frutos amazônicos ainda são pouco explorados cientificamente e pouco difundidos no mercado, mas com características sensoriais exóticas que despertam o interesse dos consumidores que os conhecem. Tais características exóticas, como o sabor, altamente desejadas, considerando-se os padrões de consumo no exterior, principalmente Europa e Estados Unidos da América, atualmente os nossos maiores importadores de frutas, tornam-nos, na forma “in natura” e processada, candidatos, em potencial, a exportações, bem como alternativas para geração de renda, mesmo no mercado interno. 

INVESTIMENTOS CIENTÍFICOS

O desconhecido valor sensorial, nutricional e funcional dos frutos amazônicos também sugere a necessidade de investimentos científicos nesta área, tão valorizada atualmente. Logo, este se torna um viés tangível para a Bioeconomia do Amazonas, levando ao desenvolvimento ou aprimoramento de tecnologias que agreguem valores sendo fundamentais na divulgação e comercialização desses produtos. Além de gerar alternativas sustentáveis de renda para o homem do campo. É com esta proposta em mente que o NOVO CBA tem se agarrado e com ganas de assumir o papel de protagonista que lhe é devido junto às empresas inseridas em toda Região Amazônica.

Vale ressaltar que a agregação de valores dos frutos amazônicos por meio da extração e purificação de compostos com funções bioativas, assume papel impar na geração de rendas, uma vez que há um incremento de valores da ordem de até 200% do valor pago para a obtenção da matéria-prima. Considerando-se o grande potencial de exploração e a carência de estudos pertinentes às diversas frutíferas amazônicas com alto valor nutricional agregado, o alavancamento da Bioeconomia local está atrelado ao incentivo em pesquisa básica e aplicada que tenham por objetivos trazer à luz do conhecimento às características físicas e químicas das espécies exóticas regionais, além de estudos voltados para o desenvolvimento da fisiologia pós-colheita de frutas e hortaliças.